O
que me chamava a atenção era o fato de que, mesmo vivendo 100 anos,
talvez nesse espaço de tempo relativamente longo ele jamais teria
noção do quanto era especial para mim. As pessoas são tão mágicas
quanto assustadoras, mas ele parecia sempre estar envolto naquela
magia em forma de carinho e cuidado. Ele não sabia – provavelmente
nunca saberá, mas eis um segredo: ele me fazia bem. Não da forma
erroneamente interpretada pelos adultos; troca de interesses, mera
companhia para saciar a solidão ou estar com outro na tentativa
desesperada de ocultar o vazio e o nada que pairam em seu próprio
interior. Ele me fazia bem na pureza do sentimento de crianças; a
pureza e aquele sentimento sublime eram a base de tudo. Então, o
avistei vindo lá longe, quase sumindo no horizonte. Meu coração
entrou em seu corriqueiro descompasso; soltei o cabelo, tirei o
óculos e aguardei ansiosamente sua chegada enquanto meu interior
parecia ser dilacerado pela ansiedade e pelo som do ponteiro dos
segundos que transformava toda aquela cena em uma eternidade. Ao se
aproximar, sorriu, exibindo aquele habitual sorriso perfeito o qual
eu tanto admirava – ele era o borrão com o sorriso mais lindo que
eu jamais imaginaria ter a oportunidade de conhecer.
(Rebecca Salomão de Carvalho)

"Não da forma erroneamente interpretada pelos adultos; troca de interesses, mera companhia para saciar a solidão ou estar com outro na tentativa desesperada de ocultar o vazio e o nada que pairam em seu próprio interior." Bonito, Rebecca!
ResponderExcluirBeijos,
Angélica ♥